Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Oberlin - Parte 2 de 4

(continuação da saga)

Sra. Indivíduo C:
"O que eu ouvi dizer foi que havia este tipo uma vez que era advogado, um completo workaholic, mas, como se isso não bastasse, era completamente viciado em jogar no euro-milhões mas, como se isso não bastasse, vivia completamente obcecado com o facto de alguém poder roubar o boletim dele com os números vencedores. Portanto, sempre que jogava, ou seja, todas as semanas, escondia sempre o recibo num sítio qualquer diferente, para que, quando ganhasse, tivesse sempre a certeza que ninguém ia ficar com o seu dinheiro. Então um dia o homem estava numa dessas feiras de coisas em segunda mão – ele gostava de ir a essas cenas ao fim de semana – e comprou a uma mulherzinha, de quem parece que o marido estava na prisão, um barco feito de fósforos e cujo mastro era uma embalagem de aspirinas. Ele achou que aquele frasco era ideal, por isso, essa semana, pegou no seu recibo, enfiou-o no fundo do frasco e depois encheu-o até ao topo com aspirinas para cobrir bem o seu precioso pedaço de papel. Estava o homem feliz da vida a passear, ansiosinho por saber se era essa semana que ia passar as férias de sonho nos Barbados, quando ao passar por uma ponte começou a ouvir uns gritos. A primeira coisa que fez logo foi levar a mão ao bolso para proteger a embalagem de aspirinas, não fosse alguém tentar roubá-la. Mas depois apercebeu-se que era uma mulher a afogar-se no lago. O que é que ele fez? Tirou os sapatos, tirou o casaco e preparou-se para se atirar. Mas não se atirou logo. Lembrou-se e foi buscar o frasco ao casaco e só depois se atirou, com o frasco bem seguro na mão, não fosse alguém roubar-lhe o casaco e o boletim vencedor. Caiu à água, desatou a nadar e agarrou a mulher mesmo no instante em que ela ia ao fundo. Mas para a poder agarrar com as duas mãos largou o frasco. Ainda hesitou um momento, mas depois desistiu do frasco e salvou a mulher. Também já jogava há vinte e dois anos os mesmos números e nunca tinha ganho! Portanto, o gajo salvou a mulher, chamou a ambulância, e enquanto ia na ambulância com a mulher para o hospital ouviu os números premiados da semana no rádio. Os números que jogava há vinte e dois anos tinham acabado de sair… Nem imaginam o berro que o homem soltou. Que tristeza. Coitadinho. Mas do mal o menos, depois acabou por casar com a mulher que salvou."

Sra. Indivíduo A:
"Então parece que o advogado do nosso amigo, que depois, por conhecimentos internos prisionais, também acabou por ser o advogado do bancário que partilhava a mesma cela, teve um esgotamento nervoso por qualquer coisa relacionada com a lotaria e ficou não sei quanto tempo no hospital. Parece que esteve tanto tempo lá como a gaja que se diz que salvou de afogar. Acho que até tiveram alta no mesmo dia e tudo, e portanto, não contentes por terem estado aquele tempo todo juntos na água e no hospital, também continuaram pela vida fora, casados, filhos e tudo o resto. Agora, por causa lá do esgotamento, o nosso amigo ladrão e o seu amigo bancário ficaram sem advogado, o que não foi lá muito bom para ambos, porque o que arranjaram depois só fez asneira. Quem diria, ein?"

(a saga continuará amanhã)

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