Terça-feira, 17 de Agosto de 2010

O Homem que Gostava de Mulheres

Na última sexta feira fui a uma despedida de solteiro. Não, não foi nada ao estilo do “Hangover”, embora sinceramente preferisse um chinoca nu e um tigre na casa de banho a alguns movimentos de dança que vi. Foi mais do género de um jantar entre amigos e apreciei bastante.

Inicialmente duas coisas me incomodaram. Logo à partida, o conceito de despedida de solteiro. Que tal “vamos casar e portanto vamos fazer uma festarola com o pessoal que gostamos”? Assim parece-me bem. E assim foi este caso. Agora o género de loucuras a que todos já assistimos ou ouvimos falar parece-me estúpido. Que raio de mulher quer casar com um tipo, com quem deve estar junto há anos, e que nunca foi a um bar de strip nem a um fim de semana louco numa ilha espanhola no tempo em que estiveram juntos, porque obviamente está com ela e ela provavelmente acabaria o namoro se soubesse disso, mas que 2 dias antes de casar faz semelhante coisa e já é justificável, “porque vão casar”? E vice-versa a mesma coisa. Já agora, porque não vai às meninas 2 dias antes da noite em que combinaram fazer o amor para tentar procriar, “porque o sexo nunca mais vai voltar a ser o mesmo”. Não é igualmente aceitável? E porque não vai emborrachar-se e às strippers e fazer rapell 2 dias antes da mulher dar à luz, “porque a liberdade vai ser lixada a partir daqui”? Podiam chamar-lhe ”despedida do coito” e “despedida do silêncio”. Sou a favor.

A segunda coisa que me incomodou foi mais logística. Acabava de chegar de 11 dias no Brasil, feliz por ouvir falar português de novo, por conviver com pessoas com um estímulo mental desenvolvido, e completamente saciado de boa carninha. Passa um dia e vou à despedida de solteiro… num restaurante brasileiro, com rodízio, empregados todos brasileiros e música ao vivo, interpretada por brasileiros e brasileiras de inegável ritmo. É muito samba seguido para um homem só poder suportar. É tudo muito bonito, mas em doses pequenas faz favor. O meu cérebro só aguenta x dias abaixo dos níveis óptimos.

Anyway, nesse jantar fiquei sentado em frente de uma jeitosa e inteligente rapariga que fez uma observação muito interessante, no meio de outras que obviamente não são para aqui chamadas. Disse a cara jovem que era a única mulher no seu núcleo de trabalho. No dia seguinte de manhã ouvi muito por acaso o primeiro grande hit da Britney Spears, o famoso “… Baby One More Time” e estes dois factos faiscaram juntos no meu consciente e pareceram-me extremamente interessantes para uma crónica humorística.

Neste momento está o leitor a duvidar da minha sanidade mental. Não duvide. É certo e sabido que ela não existe. Mas vejamos.

Pensamos na equidade dos sexos. Muito se fala, maioritariamente há 2 séculos e com mais veemência nos últimos 10-20 anos, se ela existe ou não. A nossa sociedade moderna é célere a dizer que sim, as mulheres ocupam agora cargos de chefia e de poder, as mulheres têm as melhores performances escolares e dominam cursos de topo, como por exemplo medicina, etc, etc. Isto é tudo muito bonito de se dizer e de aparecer nas estatísticas da união europeia e do senhor doutor coiso primeiro ministro, mas eu não concordo.

E o motivo pelo qual não concordo é muito simples, e define-me como pessoa. A mulher é o ser mais belo, puro e perfeito alguma vez criado. Bonita, feia, gorda, magra, jeitosa, top model, peixeira do Bolhão, careca, Maori, loira platinada de Beverly Hills eu estou-me a cagar. A Terra existe à 4, 54 biliões de anos, e durante esse tempo todo não houve nenhuma criatura, uni ou pluri-celular, terrestre ou aquática, neolítica ou cretácica, marsupial ou de espécie impossível de definir, como é o caso do Abel Xavier, que chegasse aos calcanhares da espécie humana feminina. E é impossível, impossível, que tal perfeição seja um acaso genético, e aí está um grande input para a defesa da existência de um Deus, ou Alá, ou Buda, o nome não importa, de uma entidade que pudesse moldar a delicadeza criacional, intelectual, corporal, e todos os outros “al’s” que se recordem, que existem na mulher.

Às mulheres presto vassalagem eterna, controlam as ondas da minha paixão. Gosto delas, simplesmente. Sou viciado. Truffaut tem um filme chamado “O Homem que Gostava de Mulheres”. Que homem não gosta? Ok, os gays, é o que vão responder, mas a sua repugnância é sexual, não para com a espécie em si. Estou certo que as adoram, e não deve ser por acaso que nos filmes o melhor amigo das meninas é sempre um gay, que dá concelhos de como seduzir o Richard Gere. Duvido que o cão sinta tais emoções pela cadela, embora quando a moça está com cio aquilo é muito hard-core, e à vista de toda a gente. Nenhum outro animal experiencia o que nós experienciámos. É o que costumo dizer às mulheres “Ok, muito bonito, és mulher e tal e gostas disso sim senhora e tens muitas vantagens. Mas nunca até morreres vais saber uma coisa. O que é ser homem e sentir uma mulher, estar apaixonado por uma mulher. Não há sensação que se lhe compare. E vocês nunca vão sentir isso, e isso é muito triste”.

Ok, muito bonito, antes que isto fique muito lamechas vamos ao sumo. Portanto se assim é, como é possível que alguma vez possa haver igualdade? O desgraçado do homem não faz de propósito, sente o seu dever proteger a mulher. Trabalhar para ela, deixá-la a cuidar do filho, etc, etc. Este é o lado bonitinho. O outro lado é o de fazer estas coisas, mas por o homem achar que é um ser superior. Isso infelizmente ainda existe. Tristeza. O homem não é um ser superior. As mulheres têm os homens nos dedos mindinhos assim a rodopiar, wiiii. Meras marionetas.

Óbvio que sei que a emancipação das mulheres não é pêra doce. O controlo das mulheres sobre os homens é emocional e não logístico. Há atrito em deixar entrar no círculo masculino. Mas isso já foi abolido, isso já não existe. É como a escravatura, já acabou, so get over it. “Ah não me contrataram porque eu era mulher”. Treta. E as milhares de outras que foram contratadas porque eram mulheres e o chefe ficava pelo beicinho. Uma vez fiz uns inquéritos à porta do metro e enquanto eu via-me à rasca para fazer um, via a minha amiga jeitosa a parar tudo o que era estudante e fazia 20. Pior, há uma coisinha chamada descriminação positiva, ou seja, mesmo que as melhores pessoas para os lugares sejam homens, é-se obrigado a contratar uma quota parte de mulheres. Se elas forem todas abéculas, têm de lá estar na mesma. Empregos do projecto POLIS seguem este formato. Eu próprio quando trabalhei no POLIS XXI escrevi relatórios atrás de relatórios de como o projecto em questão respondia à igualdade entre sexos. Primeiro inventava fortemente, e depois preenchi quadros e quadros de empregos a criar, que vinham da Bélgica separadinhos com as colunas “H” e “M”, metendo sempre mais na “M” que na “H”, porque sabia que isso ia dar mais pontinhos ao meu projecto.

Portanto, perguntas importantes, a descriminação ainda existe? Sim, acho que sim, mas já não tem fonte maléfica. Poderá ter ainda alguma fonte de ignorância em certos ciclos, mas de resto já foi quase erradicada. A mulher passou de pisada a claramente favorecida? Sim, sem dúvida. Mas isso é como todas as “minorias”. Os afro-americanos na América reivindicam a igualdade mas usam sempre a carta da cor para conseguir mais regalias. São eles que nunca deixam os brancos esquecer a escravatura. É só ver um episódio da Oprah. Não há um que passe sem haver uma menção ao racismo. (Não quero com isto dizer que sou um espectador fiel da Oprah). A mulher presentemente é favorecida pelo sistema. Infelizmente só até certo nível. Mas a mulher também está confortável na sua posição. Mulheres que querem singrar singram. Se alguém se queixa que nunca houve uma mulher presidente e que portanto há descriminação está a dizer asneiras. Nunca houve uma mulher presidente porque nenhuma mulher ainda quis ser presidente, ou não teve os votos suficientes, como a Hillary. Se isto da igualdade das mulheres me afecta de alguma maneira? Nenhuma, eu quero lá saber. Se visse injustiças graves a serem cometidas agiria, como quem me conhece sabe que ajo, nem que fosse mandar uns piropos nestas páginas. Então se acho que agora vivemos em plena igualdade, se é que isso existe porque somos todos descriminados por uma razão ou por outra, porque estou eu a falar disto há 2 páginas? Olha, se calhar não tinha mais nada para fazer.

Portanto, quando a jovem jeitosa me diz que é a única mulher lá no seu trabalho, isso faz dela uma heroína? Não me parece. Provavelmente a sua área de trabalho é mais apelativa a homens. Não me parece que ela esteja lá só para cumprir calendário, até porque a menina pareceu-me extremamente competente (vamos lá escolher as palavras conscienciosamente não vá ela ler isto). Não me parece que a empresa só a tenha contratado para dizer que têm uma mulher, e todas as outras foram desprezadas e os seus currículos queimados. Há mais mulheres do que homens. Há mais mulheres do que homens com o ensino superior. Então É ÓBVIO que mais mulheres vão estar no desemprego, e óbvio que mais mulheres não sejam aceites em entrevistas. Mas prontos, sou homem e ceguinho por mulheres, portanto posso estar a dizer bojardas grandes, portanto vós, mulheres, me corrijam, se o mundo vos anda a perseguir, e se o serem mulheres vos impede de viver uma vida sã e saudável. Pode ser que eu ache maneira de dar a volta à situação.

E agora perguntam vós, mas onde diabo é que entra aqui a Britney Spears? Vá… perguntem… “Onde raio entra aqui a Britney Spears?”. Bem, em 1998 o mundo mudou para sempre, como toda a gente sabe. Uma tipa de 17 anos vestida com um fato de treino meteu todos os homens entre os 14 e os 95 anos com o queixo agarrado ao peito e a escorrer baba durante tempo indefinido. Por outro lado, tudo o que era menina entre os 12 e os 26 desatou a correr de um lado para o outro num frenesim inusitado. E o que canta a Britney, nesses velhos tempos em que era pura e tinha (algum) talento? “Hit me Baby One More Time”! “Hit me Baby”?!!! Querem um incentivo melhor para a violência contra as mulheres? A mulher está a dizer ao namorado para lhe bater. Não é verdade? Portanto como pode a igualdade de sexos florescer quando a ídola do mundo inteiro é a primeira a dizer que as mulheres são as vítimas dos homens? Pior, ela até pede o seu castigo “one more time”! Não admira que tenha rapado a cabeça e beijado a Madonna. Não admira que a sua próxima música se tenha chamado “You Drive Me Crazy”! É assim que começa. Os namorados batem-lhes e depois elas piram!

Resumindo, que hoje a inspiração está parca. A mulher está numa posição delicada. Para começar é idolatrada por metade do Mundo (ou mais se contarmos as lésbicas), o que nunca é bom por causa dos paparazzi (leia-se literalmente assédio constante). Por outro lado têm um chamamento da natureza, uma predisposição, ou melhor, uma predestinação para liderarem a criação da família e tudo o que isso acarreta. Portanto o que sobra? Subir, singrar, e outras palavras começadas por “s”? Decompor uma sociedade masculina e encontrar um lugar? Esse lugar existe, se a mulher não o toma é porque não quer. Todos sabemos como elas gostam de puxar os cordelinhos e nos torturar. Toda esta história, cheira-me, é mais um estratagema da sua parte. Estão bem como estão, mas têm sempre de levantar ondas! Por minha parte não me importo, este coração é devotado ao sexo feminino, orgulho da criação. Sim sim, fazem-me a vida negra, mas que querem… chamem-lhe fetiche. Mas aviso já, mulheres deste mundo fora, cuidadinho sim. Vejam a Britney. Começou por pedir pancada e vejam onde está agora. Mãe divorciada de dois filhos, ninguém ouve a música dela, que já não presta, e entrou em filmes muito fraquinhos. Mas hey, entrou em 2 episódios do “How I Met Your Mother” e isso já conta por alguma coisa. Aposto que muitas de vós trocavam um pouco de igualdade no trabalho por uma participação especial à beira do Neil Patrick Harris, não? Claro que sim. É bom saber como uma pessoa pode facilmente vender os seu ideais. (kidding!)

A CM é mulher. Das melhores que há. A CM vai casar no sábado. Caro ZP, cuida bem da CM. Ela merece. O meu coração está convosco. Há pureza em vocês que é raro existir nos actuais seres desta Terra. Fazei o favor de ser felizes, já dizia o outro. Não há cá homens nem mulheres. Vocês são um. Um só. Um ser. E esse ser é forte. E esse ser é amor. E esse ser nunca pode ser descriminado. Nunca.

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