Terça-feira, 31 de Maio de 2011

Efémeá… Efemeé… Efémeí!

Diz-se por aí que somos um bando de desgraçados que está à beira do colapso financeiro. Há quem diga que estamos num fosso, ou num buraco financeiro, mas a definição quer de fosso, quer de buraco, implica que o mesmo tenha um fundo. Mas, segundo que parece, a presente situação não tem um fundo. Nem um fundo perdido. Basicamente, não tem um fundo por onde se lhe pegue.

Não só não tem um fundo como não tem um fundamento. Tem um afundamento, da espécie “Titanic”, mas não tem um fundamento. Porque um fundamento implica alguma lógica, por pouca que seja, e o que se anda a passar por estes lados não tem lógica nenhuma. Claro está, todo o raciocínio lógico foi inventado por um grego. Nós seguimos a onda, ou melhor, o icebergue.

Na verdade diz que há para aí um fundo qualquer. Diz que sim. Mas não me acredito. Uma vez estava na praia e cavei o buraco mais fundo que consegui. Depois a minha mãe chamou-me para me ir embora e eu fiquei muito triste por não acabar o buraco. Só mais tarde me apercebi que um buraco meio acabado não deixa de ser um buraco. E um fundo bem fundo não deixa de ter um fundo. Portanto, para nos salvar desta desgraça, o fundo teria de não ter fundo, e o buraco teria de ser todo coberto, senão continuaria a ser um buraco! Possível? Talvez. Lusitanamente fazível? Bem…

Até há pouco tempo pensei que o FMI tinha alguma coisa a ver com o facebook. Uma espécie de FBI dos murais, um Federal Mural of Investigation. Afinal não. Afinal parece que emprestam dinheiro. Os portugueses já podem regozijar. Seguindo o exemplo do brilhante líder dessa instituição, todas as dívidas que estejam relacionadas com a prostituição e o abuso sexual serão cobertas pelo pacto de estabilidade. É uma boa notícia para o sindicado dos proxenetas portugueses, que já de algum tempo a esta parte se queixava de não estar a receber o 13º mês, nem subsídios de natal. Será uma época particularmente festiva para os de Bragança, que graças às suas meninas vão receber uma ajudinha extra, cortesia do director geral do FMI.

Nestes tempos em que já nada nos vale, a não ser talvez uma boa praga de gafanhotos, que directivas pode o povo português exigir dos seus governantes, ao invés do inverso habitual, que consiste nos governantes exigirem do povo português, enquanto ficam a tocar guitarra à sombra da bananeira e a chuchar no dedo, bananeira e guitarras essas importadas directamente de, respectivamente, Costa Rica e Inglaterra, com dinheiros públicos, e dedo esse obtido a um preço muito mais caro? Sugerem-se duas ou três trivialidades.

Primeiro, mais importante que tudo, eliminar a profissão de taxista e introduzir a de taxista/costureiro ou taxista/talhante. Já ninguém usa um telefone em que é preciso dar à manivela e cujo bocal está fixado na parede. Já ninguém usa o Spectrum como seu computador pessoal. Já ninguém usa o mIRC. Pior, já ninguém tem conta no hi5! Então porquê, com o tarifário ao nível em que está e com a evolução dos sistemas de transporte público, é que ainda é preciso táxis? Um taxista fica o dia inteiro a falar com os seus compatriotas nas paragens de táxis. Não produz, não trabalha. Não recebe nem dá, a não ser à língua. Fica 8 horas de um dia à conversa para fazer uma viagem de 10 minutos, com uma bandeirada de 5 euros. Portanto sugiro que seja erguido um pré-fabricado no local de cada paragem de táxis, para que os taxistas exerçam outra actividade enquanto esperam os seus solitários telefonemas. Um quiosque de produtos dietéticos? Um serviço de atendimento do IRS? Um call-centre da Optimus? Qualquer coisa, desde que contribuam para o país, no restante 90% do dia em que não estão a conduzir.

Segundo, criar um sistema de emparelhamento de famílias. O conceito é simples, juntar uma família rica com uma pobre, e fazer permutas de montantes a partir de determinados valores. Imaginemos que um desgraçado ganha 3.000 euros por mês e outro ainda mais desgraçado ganha apenas 600. O que ganha 3.000 passa a receber 2.900 e o que ganha 600 passa a receber 700. Uma pequena ajuda que nem faria mossa no desgraçado nº1 e que faria toda a diferença para o desgraçado nº2. E quem sabe, os desgraçados até podiam ficar amigos, e ir tomar umas cervejas na sexta à noite. Sim, eu sei que isto nunca iria resultar. Os ricos iriam aldrabar nos rendimentos para dar menos, os pobres iriam aldrabar nos rendimentos para receber mais. E se esta permuta ocorre-se entre, imaginemos, quem recebe mais de 1.500 e quem recebe menos de 650, iríamos ver os contratos todos a espetarem-se mesmo à beirinha destes valores, por mera coincidência… Mas um tipo pode sonhar com a utopia, não pode?

Terceiro, acabar com os licenciados em gestão de engenharia de marketing de body building da Bio Seiva do instituto universitário ISCTAPTEC XONÉ ¾. Empurra-se quem não sabe ler até ao 5º ano de escolaridade. Empurra-se quem não sabe quem foi o primeiro rei de Portugal até ao 7º. Empurra-se quem não sabe fazer uma conta de dividir até ao 10º. Empurra-se quem chumba nos exames nacionais para a faculdade, através de algum percentil de quotas de directivas de estatísticas de ah e tal e coiso. E os desgraçados nºs 3, 47, 68 e 1000243, que deviam ser padeiros, pedreiros, marceneiros e merceeiros, aparecem na televisão a manifestarem-se, a dizer que são licenciados e que não têm emprego. Com todo o respeito pelos verdadeiros desempregados, repugna-me ver estas reportagens, nas quais a um cantinho algum jovem sussurra qual o seu curso e onde o tirou… E depois ‘vão vir’ médicos do Chile e de Espanha, porque o emprego neste país chega para todos, e portanto porque não dar uma mãozinha aos estrangeiros…

Quarto, quando o Obama vier cá a Portugal, levem-no a almoçar ao ‘Churrasqueira Avenida’ ou ao ‘Retiro da Francesinha’, em vez de oferecerem um almoço de estado que custará no mínimo umas 100 vezes mais por pessoa. E aqueles canapés de maracujá servidos em Belém não se comparam com umas boas asinhas de frango, a um décimo do preço, servidas ali no tasco da esquina. E para deslocação, o homem bem que pode andar a pé, ou de trotineta, ou numa prancha de surf, já que é do Hawaii. Agora de tanque? Que chega depois de se ir embora? Também podemos vender o tanque aos líbios, e aí já poderemos pagar salários a mais uns quantos. As mesmas recomendações dos jantares e das deslocações são feitas a todos os políticos em campanha. Quereis estimular a economia? Comei nos tascos!

Na realidade podia ficar aqui a fazer recomendações até depois de amanhã. Quem estiver interessado nas minhas brilhantes sugestões, não hesite em me contactar. Responderei com todo o ar da minha graça. Se a graça me faltar, responderei somente com o ar. E com o ar que me resta, avanço directamente para a última recomendação de todas. Quem me conhece sabe que sou completamente apolítico. Só quero fazer rir, expressar-me literariamente e dizer o que penso com um toque de ironia. Pois… sou desses, sou esquisito. E mais que esquisito, sou bronco. Não sei (e isto é verdade, há testemunhas que o provam), qual o partido político de A ou de B, e se estão à direita ou à esquerda (à minha direita ou à tua direita, à minha esquerda ou à tua esquerda?). Não faço ideia de que partido é o prezado Sô Socras. Não voto ou voto em branco. Não acredito no sistema e é tudo igual para mim esteja quem lá estiver. Nunca notei diferença. Bem, para falar verdade, se algum dia estiver lá o Dom Duarte, talvez se note uma ligeira diferença. Mas uma coisa eu sei. E sei-o porque tenho olhos na cara, ouvidos… também na cara, e dois dedos na (ou melhor de) testa. E o que eu sei é que a rambóia é muito bonita até alguém perder um olho. Ou uma perna. Ou pior. Ou não. Porque pior que perder uma perna não há. Imaginem que queriam andar ao pé-coxinho. Não podiam! Pensai nestas palavras sábias e fazei o favor de ler com muita, muita atenção a mensagem dos nossos ‘sponsors’, que se segue:

“Fazei o favor de não reeleger o pascôncio que nos levou a esta situação desesperada. Chamem-lhe Sô Socras. Chame-lhe Sô Socas. Chamem-lhe Clotilde. Chame-lhe o que quiserem. Só não o chamem outra vez. Obrigado. O país agradece.”

2 comentários:

  1. Começando pelo fim:
    1- Quem é o "nosso sponsor" e quem são os "nós"
    2- Pode mesmo dizer-se/escrever-se "não me acredito"? O meu marido que não é do norte acha isso funny, que é como quem diz parolo, por isso eu agora so digo, quando consigo "não acredito".
    3- Gosto de te ler quando exerces este tipo de escrita!

    Um bem hajas Miguel

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  2. Celinha, minha leitora mais fiel:

    1) o sponsor sou eu, claro!
    2) o cyberduvidas diz que sim
    3) a gerência agradece

    Um bem hajas para ti tb!

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